• Lucas Peres

VAR: herói ou vilão?

Atualizado: Mar 3

Apesar de ser fundamental para auxílio da arbitragem, o arbitro de vídeo vem causando muita polêmica desde sua chegada ao futebol brasileiro.

Apesar de útil, ferramenta foi motivo de discussão na última rodada do campeonato brasileiro - imagem/terra.com

Com o avanço da tecnologia, o futebol acabou evoluindo junto, mas ainda há quem questione se tal avanço foi benéfico para o esporte. O Árbitro de Vídeo, mais conhecido como VAR, é uma tecnologia recentemente implantada no esporte, e tem como objetivo auxiliar o juiz em lances duvidosos, ou corrigir erros de arbitragem. O VAR começou a ser usado mundialmente por volta de 2016 e apesar de alguns testes em campeonatos estaduais desde 2017, chegou ao Brasil para valer apenas em 2018, sendo utilizado na Copa do Brasil daquele ano.


Apesar de hoje o VAR ser considerado fundamental para o futebol, sua existência ainda causa muita discussão aqui no país. Se muitas vezes a ferramenta já solucionou casos em que um erro de arbitragem mudaria resultados de partidas importantes, problemas como a demora em certos casos ou consultas em situações estranhas geram certa desconfiança sobre seu uso.


Apenas na última rodada do campeonato brasileiro, ocorreram polêmicas envolvendo a ferramenta que trouxeram à tona questões que sempre acabam voltando ao foco quando o VAR aparece.


O VAR pode chamar para isso?

Lance em que o VAR foi acionado e resultou na segunda anulação de gol do Botafogo - reprodução/premiere

Muitas vezes fomos surpreendidos com chamados ao VAR em situações que enquanto a jogada ocorria ninguém notou alguma irregularidade, ou o árbitro interpretou como lance normal. Na partida entre Botafogo x Internacional, pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro, a equipe carioca teve um gol anulado pois, no início da jogada, o VAR teria captado um lance de falta do Atacante Matheus Babi no meio campo colorado Patrick, na ocasião, ao tentar proteger uma bola que iria em direção a seu companheiro, Babi teria acertado uma cotovelada no seu adversário.

A polêmica se deu pois o lance ocorreu antes do início da jogada que resultaria no gol, e o árbitro Thiago Duarte Peixoto, não teria assinalado falta imediatamente, restando ao árbitro de vídeo o chamar para revisar o lance, que resultou na falta em lance sem bola. A decisão causou revolta de jogadores torcedores e comentaristas esportivos, que argumentaram que o VAR não deveria interferir em um lance que o árbitro teria interpretado como não impactante para o gol. O goleiro Gatito Fernandes, ao final da partida deu um chute no equipamento de vídeo que fica na beira do campo.


O VAR não deveria revisar isso?

Suposta agressão de Jô ao zagueiro são paulino - reprodução/premiere

Desta vez, vamos para o clássico São Paulo x Corinthians, também pela sexta rodada do campeonato brasileiro. Nesta ocasião, após um ataque da equipe corintiana, o centroavante Jô e o zagueiro Diego Costa começaram a discutir e tiveram que ser separados por seus companheiros. No replay da transmissão da partida, foi notado que Jô teria dado um soco nas costas do jogador São Paulino, que mesmo reclamando com o árbitro, nada foi feito e o VAR não interferiu no lance, que poderia resultar na expulsão do atacante.


Após a partida, o São Paulo enviou ofício à CBF e a Comissão de Arbitragem, alegando erro crasso, solicitando posicionamento das entidades e as gravações do áudio da equipe do VAR que atuou no clássico no momento do lance. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva denunciou o camisa 77 corintiano por agressão, que pode resultar em suspensão de quatro a 12 jogos.


O VAR demora tanto assim?

"Comemoração" de Marinho ao marcar gol de falta, que acabaria sendo anulado pelo VAR - reprodução/Santos FC

Esta é uma das principais reclamações que o VAR recebe no Brasil. Com partidas chegando a ficar mais de cinco minutos paralisadas para revisão, o árbitro de vídeo tem seu principal impacto negativo neste motivo, pois o longo período de pausa pode quebrar totalmente o ritmo de uma equipe que até então estava dominante, atrapalhar transmissões ao vivo e irritar torcedores.

Se o tempo recomendado pela FIFA para revisão de lances é de 70 segundos (um minuto e dez segundos), por aqui vemos revisões demorando mais cinco minutos, como no caso de Santos x Flamengo, no último domingo pelo Brasileirão. O Peixe teve dois gols anulados logo no início da partida. O primeiro gol, marcado por Raniel, passou cinco minutos sendo revisado antes da anulação, e o segundo, marcado por Marinho logo após o fim da primeira anulação, ficou seis minutos em revisão. A demora na checagem pode ter sido decisiva na partida, pois diminuiu o alto ritmo que os paulistas tinham na partida, dando espaço para os rubro-negros equilibrarem a disputa, que venceriam por 1 a 0.

As polêmicas na última rodada do campeonato e as reclamações da mídia chegaram ao chefe de arbitragem da CBF, Leonardo Gaciba, que afirmou que o VAR ainda irá evoluir, e comparou a ferramenta com uma ambulância: “VAR é uma espécie de ambulância, ele só é chamado em caso de emergência. Se ele conseguir atender essa emergência rapidamente e conseguir salvar o socorrido, maravilhoso. Agora, se ele demorar para socorrer e mesmo assim salvar a vítima, também é válido. O que não pode acontecer é ser rápido e errar ou ser demorado e errar, o que é pior ainda”.


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