• Bruno Lobão

Supremacia alemã na Champions da pandemia

Atualizado: 20 de Ago de 2020

Pela primeira vez na história, a Liga dos Campeões da Europa terá três treinadores de mesma nacionalidade nas semifinais. Carregando a bandeira alemã, Hans-Dieter Flick, Julian Nagelsmann e Thomas Tuchel chegaram ao top-4 do torneio com um belíssimo futebol ofensivo, emplacando o avassalador Bayern de Munique, a surpresa RB Leipzig e o endinheirado Paris-Saint Germain entre os melhores clubes da Europa. Além disso, vale lembrar que o Liverpool do alemão Jürgen Klopp é o atual campeão nacional e europeu, com campanhas irretocáveis em ambas conquistas. Seria o início de uma nova era de treinadores no velho continente?


MESMO FUTEBOL?

Primeiramente, é importante destacar que essa temporada de Champions League teve um formato atípico, com jogo único a partir das quartas de final, o que de certa forma impactou a maneira de jogar de algumas equipes. Porém, nada tira o brilho dos semifinalistas, que fizeram grandes partidas na fase anterior. Há quem diga que a queda de produção de equipes como Real Madrid, Barcelona e Juventus nos últimos anos foi determinante para essa "supremacia alemã", mas vejo o outro lado da moeda: a escola de treinadores na Alemanha evoluiu muito. 


A Alemanha de Joachim Löw, o Liverpool de Jürgen Klopp e o Bayern de Jupp Heynckes. O que essas três equipes têm em comum? Todas foram vitoriosas jogando um brilhante futebol, buscando o gol a todo momento. Agora, em 2019/20, foi a vez de três novos técnicos da "nova geração", chegarem a uma acirrada disputa continental. Claro, ainda é cedo para dizermos se este excelente trabalho feito até aqui vai durar nas próximas temporadas, mas fato é que desde a "revolução" feita no início do século, a Alemanha colhe os frutos de um excelente planejamento.


PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO DE TALENTOS

Com o objetivo de ganhar uma Copa do Mundo - o que ocorreu em 2014 - o futebol alemão se preparou muito bem para chegar onde chegou. Atualmente, há mais 300 centros de treinamentos espalhados pelo país com treinadores formados pela federação, que exige uma enorme qualificação de todos os membros da comissão técnica para assumir tal cargo. Com todos os protocolos seguidos à risca, a DFB, olhando para o futuro, manteve uma linha de trabalho para prospecção de novos talentos, o que explica o bom rendimento alemão em torneios de categoria de base.

Projeto DFB Academy - Foto: Divulgação/DFB

Visando melhorar mais ainda o seu plantel de treinadores, o projeto para construir o 'Vale do Silício' do futebol já está em andamento. Serão 110 milhões de euros investidos em um novo complexo de 54 mil metros quadrados, com muitos campos, academias, laboratórios e até salas de aula, com o objetivo de integrar jogadores e treinadores em um único espaço. Com o nome de DFB Academy, a estrutura promete elevar o patamar do país no futuro sendo pioneira na análise digital do esporte, com novas estatísticas de precisão e desempenho do atleta nos treinamentos e nas partidas. 


O ESTREANTE HANS FLICK 

Após assumir o Bayern de Munique em novembro de 2019, Hans Flick (55) tem conquistado números espetaculares, dentro e fora da Alemanha. Invicta desde o dia 07 de dezembro, a equipe da Baviera tem, no momento atual, 28 partidas de invencibilidade, sendo 27 vitórias e apenas um empate nesse período. Certamente entra como o grande favorito ao título da Champions nesta temporada, principalmente depois das goleadas avassaladoras sobre o Chelsea (7 a 1 no agregado) e Barcelona, onde venceu por 8 a 2. Vale lembrar que Flick era assistente técnico de Joachim Löw no título mundial de 2014 e no Bayern de Niko Kovac, mas foi efetivado depois da demissão do croata. Desde o início do seu trabalho, foram 112 gols marcados e 26 sofridos, além de um aproveitamento de 92,2%, o que o credencia como um dos grandes nomes dessa nova safra de treinadores alemães.

Hans-Dieter Flick - Foto: Reuters

O SUCESSO MAIS JOVEM: JULIAN NAGELSMANN

Com apenas 33 anos, Julian Nagelsmann é a sensação entre os treinadores no momento. Responsável por levar o Hoffenheim à Champions League pela primeira vez na história, o "Baby Mourinho" agora colocou o Leipzig numa semifinal de Liga dos Campeões, desbancando o experiente Diego Simeone nas quartas de final. Com apenas quatro anos como profissional, mostrou muita competência para armar suas equipes em sistemas de 3 zagueiros, jogando um futebol ofensivo de alta qualidade. No comando do RB, foram 46 jogos, 26 vitórias, 14 empates e 6 derrotas, um aproveitamento de 66,7%. Mostrou muita força no ataque, com 107 gols feitos (média de 2,32 por jogo), mas deixou a desejar um pouco na defesa, tomando 52 gols (média de 1,13 por jogo) ao todo.

A sensação do Leipzig, Julien Nagelsmann - Foto: Divulgação/Bundesliga

Com investimentos bem menores que o PSG, rival dessa terça-feira, o Leipzig conta um elenco jovem e barato. Para tomar como base, a contratação mais cara já feita pelos alemães foi Naby Keïta, por 30 milhões de euros, em 2016. Neymar, craque do Paris Saint-Germain, custou mais de 7 vezes esse valor, o que mostra o abismo entre os orçamentos das duas equipes e o desafio que a equipe de Nagelsmann terá que desbancar se quiser continuar fazendo história no continente.


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BRILHANDO FORA DO PAÍS: O COLETIVO DE KLOPP E TUCHEL

Atual campeão europeu, mundial e responsável por tirar o Liverpool da fila na Premier League. Que baita treinador é Jürgen Klopp! Montando uma equipe praticamente do zero, o "Normal One", foi lapidando o elenco do seu jeito, com um planejamento a longo prazo muito eficiente. Encantou a todos com sua maneira de jogar, um futebol de muita pressão e toque de bola, montando um sistema coletivo onde todos os onze participam das jogadas. Além de conquistar quatro taças sob comando dos Reds, ainda foi à final da Liga Europa em 2016 e da Champions League em 2018, batendo na trave nas duas oportunidades. Se hoje o Liverpool é o clube mais "temido" das últimas duas temporadas, muito se passa pelo treinador, o grande nome dessa fase memorável. 

Klopp e a taça da Champions - Foto: Divulgação/Premier League

Em sua segunda temporada no comando parisiense, Tuchel (46) já conquistou o bicampeonato nacional, uma Copa da França e uma Copa da Liga Francesa, além da Supercopa da França nos dois anos que disputou. Quer, agora, o título mais complicado, o único que falta em sua passagem pelo PSG: a Liga dos Campeões. Conseguiu levar o time até a semifinal, igualando a melhor campanha da história, e nesta terça-feira busca uma final inédita. Na atual temporada, foram 47 jogos, 39 vitórias, 4 empates e 4 derrotas, um aproveitamento altíssimo de mais de 85%. O ataque brilhou, marcando 133 gols (média de 2,83 por jogo), enquanto a defesa conseguiu a importante marca de apenas 34 gols sofridos (0,72 por jogo). O fato de ainda ser novo para profissão e ter um bom currículo em seus 11 anos de trabalho o credencia como um dos grandes nomes para o futuro alemão, podendo até chegar, quem sabe um dia, à seleção nacional. 

Thomas Tuchel - Foto: Franck FIFE/APF

E você, torcedor? Acha que o domínio dos técnicos alemães nessa temporada se deve à evolução da safra no país ou pelo benefício do jogo único no mata-mata da Champions? 

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