Sobre os gritos de ‘Vamos virar, Mengo!’ Flamengo elimina Emelec e muda sua história na Libertadores

União entre torcida e time foi fundamental para reverter resultado desfavorável


Jogadores vibram após classificação nos pênaltis. Foto: Ricardo Moraes / Reuters

Há um ano o Flamengo viveu uma noite épica no Maracanã. No dia 31.07.2019, o rubro-negro se classificou para as quartas de final da Copa Libertadores após uma vitória nos pênaltis sob o Emelec. O clube da Gávea vinha de um revés em Guaiaquil, no Equador, onde perdeu por 2 a 0 e precisava reverter o placar ganhando por três gols de diferença ou dois para levar à disputa de pênaltis e foi isso o que aconteceu. Mas antes, houve uma verdadeira saga entre torcida e jogadores.


O Flamengo, com novo comando sobre as ordens do português Jorge Jesus, já demonstrava um futebol diferente. Mais ofensivo, porém, alternava vitórias com derrotas. Semanas antes de jogar contra o Emelec, a equipe carioca havia vivido uma eliminação para o Athletico Paranaense na Copa do Brasil. Depois de empatar em Curitiba por 1 a 1 – o primeiro jogo de Jesus à frente do Flamengo – o placar se repetiu no Maracanã e os pênaltis decretou o avanço do rubro-negro paranaense a próxima fase. O clima de desconfiança foi instalado na Gávea e a zoação de “cheirinho” feita pelos rivais se renovou.


Na quarta da semana seguinte, o Flamengo viajou para o Equador. O confronto valia a primeira partida de oitavas de final da Copa Libertadores. Com desfalque de Everton Ribeiro, Jorge Jesus surpreendeu a todos e escalou o lateral Rafinha na ponta direita e, Rodinei ocupou a vaga na lateral. O Emelec não fez um grande jogo, mas o Flamengo foi muito abaixo. O time carioca sofreu, estava totalmente perdido em campo. Rafinha parecia não entender o que fazia ali e o meia Diego ainda sofreu uma entrada dura que o tirou dos gramados por um longo tempo. Não bastasse, o rubro-negro voltou com dois a zero na viagem para tentar virar no Maracanã.

Rua de fogo

O Rio de Janeiro estava diferente naquela quarta-feira. Último dia do mês de julho. A torcida do Flamengo se vende como uma “nação” e neste dia, o Brasil estava parado, seja para quem é flamenguista ou não. Todos os caminhos levavam ao Maracanã. Rubro-negros de todo o país se mobilizaram através de caravanas, viajaram de avião e aqueles que não conseguiram realizar isso, pareciam mandar suas vibrações de onde estavam para que se unissem com a energia de quem compareceu ao estádio.



Na chegada, o Flamengo foi recepcionado pela chamada “Rua de fogo” que formou um cordão próximo ao ônibus rubro-negro e todos gritavam: “Ôôô, Vamos virar Mengo!”

Era um coro que se mantinha e seguiu dentro do Maracanã, novamente lotado, acima dos 60 mil. No entanto, desta vez, não era somente um jogo com grande público, parecia que todos que compraram o ingresso, estavam acompanhando o último jogo de suas vidas. A atmosfera estava diferente e a torcida estava diferente.

O jogo

Os jogadores do Flamengo entenderam que aquela noite não era mais uma qualquer e partiram para cima do Emelec desde o início do jogo. Aos 7 minutos do primeiro tempo, após uma cobrança de escanteio, Rafinha fez uma jogada e sofreu pênalti que Gabigol bateu com calma, apesar do momento, e abriu o placar.

Aos 18 minutos, a dupla Bruno Henrique e Gabriel apareceu mais uma vez. Depois de escapada de Bruno Henrique, o atacante rolou para Gabigol livre na área deixar tudo igual e o jogo já estava empatado antes dos 20 minutos iniciais.


Gabriel Barbosa sai para comemoração junto da torcida. Foto: Marcelo Cortes e Alexandre Vidal/CR Flamengo

Porém, o que se viu depois foi tensão. O placar se manteve até o apito final, quando voltou à cabeça dos 67 mil presentes no Maracanã, o filme de eliminações passadas. O Flamengo, chacota de rivais e sempre eliminado em Libertadores poderia estar novamente sofrendo um drama. Até, então, o longevo ano de 1981 era o único marcado na história rubro-negra quando se fala em conquista da América. Mas, naquela noite, o primeiro passo foi dado para isso mudar.


Todos os jogadores do Flamengo cobraram os pênaltis com categoria e dois atletas saíram como destaque, Renê e Diego Alves. O lateral esquerdo, muito perseguido pela torcida, foi para cobrança despertando apreensão e silêncio no maior do mundo, no entanto, Renê mostrou sua categoria e bateu no canto do goleiro, sem chances de pegar.


O goleiro Diego Alves, famoso por defender pênaltis, carregava consigo o rótulo de pegar cobranças de Messi e Cristiano Ronaldo, mas, pelo Flamengo, devia uma boa defesa. Ela veio na batida de Arroyo, justamente o jogador que lesionou Diego no jogo de ida.


Goleiro Diego Alves foi herói. Foto: Alexandre Vidal/CR Flamengo

Por fim, a última cobrança equatoriana foi no travessão. Após vencer por 2 a 0 no tempo normal e ter êxito nos pênaltis, o Flamengo, há um ano, mudou sua história na Libertadores. Não tenho dúvidas que ali, contra o Emelec, foi o jogo que o rubro-negro colocou uma mão na taça aguardada por 38 anos.

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