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Pelé 80 anos: Um ídolo sem o devido reconhecimento

Nessa sexta-feira, dia 23 de outubro, o Rei Pelé completa 80 anos de vida. Para muitos, Pelé já não é mais o maior jogador da história do futebol. Com algumas estatísticas batidas e outras não, me parece que o simbolismo do Atleta do Século XX, principalmente no Brasil, é muito relativizado.

Imaginem que na Copa do Mundo de 2018, Vinícius Júnior, aos 17 anos de idade, marcasse três gols na semifinal contra a França e mais dois gols na final contra a Rússia. Pronto, indiscutivelmente o menino carioca estaria na prateleira de um dos maiores gênios da atualidade e seu feito seria repercutido por décadas. Pois é, caros leitores, Pelé fez isso, porém, há três agravantes que colocam esses feitos ainda maiores do que são.

Pelo Santos foram: 6 Brasileiros, 2 Libertadores e 2 Mundiais. Créditos: Estadão

Esses três agravantes são todos originários do dia 16/06/1950, quando o Brasil perdeu a Copa do Mundo para o Uruguai em pleno Maracanã. O primeiro era que a Seleção Brasileira voltava a uma semifinal e final de Mundial após o fracasso em 1950. A segunda é que esse foi o primeiro título mundial da canarinho, mesmo com o Brasil jogando de azul. Entretanto, em minha opinião, é que Pelé ao marcar esses gols e nos dar o mundo, conseguiu exterminar o estigma de jogadores negros na Seleção. Afinal, a sociedade massacrou o goleiro Barbosa após uma suposta falha no segundo gol uruguaio e sim, senhores e senhoras, jogadores negros sofreram muito nesses oito anos que separaram o vice e a glória.

Além disso, Pelé viveu o seu auge em 1962, um ano que ficou na memória como a Copa que o Brasil ganhou sem o Rei. É verdade, afinal o mineiro se machucou e Garrincha colocou no bolso aquele Mundial disputado no Chile. O trono de Pelé estava ameaçado pelo amigo Mané e pelo português Eusébio, que havia conquistado a Champions com o Benfica e colocava Portugal no mapa do futebol.

Pelé se recuperou e exterminou qualquer dúvida sobre quem era o maior jogador da época. Na final da Taça Brasil, o Santos goleou o Botafogo em pleno Maracanã por 5x0, com dois gols do Rei. Garrincha, sequer marcou um mísero gol nos três jogos da final. Ainda teve a Libertadores, que mesmo na sua terceira edição já havia um bicho-papão, um monstro uruguaio e aurinegro. O tão temido Peñarol sucumbiu nos dois gols de Pelé e assim lá foi o Santos enfrentar o tão temido Benfica.

Pelé é o jogador com menos idade ao marcar um gol na final da Copa do Mundo. Créditos: Goal

Nos dois jogos do Mundial, Pelé marcou cinco vezes, sendo um hat-trick no estádio da Luz. Hat-trick esse anotado em seis minutos. O Santos vencia por 5x0, mas relaxou e deixou os portugueses, inclusive Eusébio marcarem e o jogo terminou 5x2. 1962 é o maior ano do Rei, por se superar e calar todos aqueles que um dia contestaram seu trono.

E o que falar do seu Gran Finale? Tudo começou no Maracanã, no gol da vitória sobre o Paraguai que classificou a Seleção para a Copa do Mundo de 1970. Sim, aquela certamente é a maior seleção da história do esporte e Pelé não jogou sozinho, mas diante de várias atuações magníficas em Copas, a de Pelé em 1970 é abafada ao invés de colocada num pedestal.

Mais do que seus quatro gols nos seis jogos, mais do que suas assistências. Os lances de não gol do Rei se sobressaem aos gols de seus companheiros, tamanha genialidade do atacante nesses lances. A cabeçada que Gordon Banks defendeu, ou o drible de corpo no goleiro uruguaio e a finalização que passa rente a trave, ou o chute de antes do meio-campo. Lances eternizados que ocupam um lugar na memória de todos, mas que alguns gols daquela campanha.

Das quatro Copas que disputou, Pelé saiu machucado em duas. Nas outras, ele foi o melhor jogador. Créditos: UOL

Pelé continua sendo o maior ou o melhor jogador de todos os tempos? Não sei, sinceramente. Até porque hoje nós só assistimos aos seus grandes momentos, enquanto semanalmente vimos astros brilharem e fracassarem. Porém, é inegável que o tamanho de Pelé e de seus feitos são muito menosprezados com o passar dos anos, talvez pela cultura do ser humano, e principalmente do brasileiro, de esquecer a história e focar apenas no presente, como se o passado não tivesse tanta importância.

A frase que diz: “as pessoas são valorizadas após a morte” é muito real no Brasil. Talvez, esse seja o momento para se refletir e se espelhar nos nossos vizinhos argentinos. Chegou a hora de tratar o nosso Rei com a sua devida importância.


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