• Mateus Versieux

Opinião: o início pune, sempre puniu!


Imagem: Reprodução/GE

Infelizmente no futebol brasileiro existe uma máxima: o início do campeonato brasileiro é um moedor de treinadores. Não temos nem um mês completado de campeonato e já são 5 técnicos demitidos de seus respectivos clubes. A média é quase um técnico derrubado por rodada.


Muitos acreditaram que o início desse campeonato seria diferente, que as diretorias iriam cobrar menos dos seus professores, que iriam entender e ter – por que não – uma compreensão a qual fazem parte também por não conseguir montar elencos totalmente fortes devido todo o contexto de pandemia para as primeiras rodadas.


O risco de perder jogador de forma iminente antes de uma partida ao testar positivo para o novo coronavírus, as várias suspensões de contratos durante a parada, a falta de ritmo dos atletas, tudo poderia estar entrando em consideração nessas primeiras rodadas e usado para legitimar campanhas não tão eficientes ou ao menos para não conseguir o que se esperava.


No entanto, não, estamos no Brasil, o início pune, ele sempre puniu. Perdeu partidas seguidas? Rua! Não existe nem ‘case de sucesso’ internacional que vá contra essa máxima no futebol.


Ney Franco - Goiás

O experiente Ney Franco e o, em algum momento promissor, Eduardo Barroca puxaram a fila coincidentemente – ou não – no mesmo dia. O fatídico que se iniciou a dança das cadeiras foi o dia 20 de agosto. Ney Franco, que havia perdido uma dezena de jogadores de uma hora para outra por conta da covid-19 se viu refém de um time que, claramente não tinha entrosamento e que teve um início ruim, duas derrotas e um empate. A derrota derradeira foi para o Fortaleza, por 3x1, guardem o placar e o time.


Eduardo Barroca - Coritiba

Eduardo Barroca, após seis derrotas seguidas do time somada a perda da final do Paranaense para o Athletico e a sequência do Brasileirão não sobreviveu no comando técnico do Coritiba. O ex-técnico do Botafogo saiu do clube junto com o diretor de futebol, Rodrigo Pastana, após a derrota para o Corinthians, por 3 a 1, e naquele momento deixou o Coritiba no lugar mais amargo da competição. Em uma tentativa de explicar o que quase sempre é inexplicável, presumo que essa pressão encima do time verde e branco da capital paranaense se dá muito em conta pelo sucesso recente do seu rival e se manter na série, como objetivo principal, talvez seja trivial para o coxa conseguir, de certa forma, se equiparar ao Furacão.

Dorival Júnior - Athletico PR

Nesse sentido, pode parecer contraditório, mas o próprio Furacão, o último campeão da Copa do Brasil, que teve um início de ano promissor e embalado pelo recente título, também demitiu seu treinador. Dorival Júnior, um membro já efetivo na eterna dança das cadeiras que é o futebol brasileiro não resistiu a uma série de 4 derrotas seguidas no comando do time paranaense.


Talvez, a culpa nem seja de Dorival Júnior, já faz um tempo que ele não faz um trabalho digno para estar em um time com aspirações tão grandes. A perda de alguns jogadores em relação ao time do ano passado é essencial para entender o decaimento de produção do Furacão. Mas, o resultado pune. No Brasil ele é lei.


Bons Trabalhos

Se a Champions League foi eletrizante neste mês, o campeonato brasileiro não deixou a desejar: só nesse início, além de já termos 5 treinadores demitidos, já vimos um Império Rubro-Negro ruir, fomos “ramonizados” e temos o Inter de Coudet surpreendendo.

Felipe Conceição - RB Bragantino


Contudo, no dia 31 de agosto Felipe Conceição, do RedBull Bragantino, não suportou mais uma derrota e foi demitido, daquele que prometia ser a sensação do campeonato. Rogério Ceni e o Fortaleza derrubaram mais um técnico.

Após algumas derrotas e uma goleada em casa, onde o treinador alterou bastante a equipe, abusando de alguns jovens (Mas, essa não é intenção do Projeto RedBull?) o que se viu foi um time pouco criativo e que foi facilmente dominado em uma das piores atuações da equipe no ano. Vale lembrar que o Massa Bruta chegou longe no Campeonato Paulista, semifinalista e Campeão do Interior, com o artilheiro e melhor jogador da competição.


Porém, nem uma ‘case de sucesso’ internacional resistiu a convicção resultadista do futebol brasileiro. Existe um projeto, entretanto ele tem potencial para se sobrepor a pressão aos resultados do Campeonato Brasileiro. Se o RedBull Bragantino cair, seria um das maiores 'flopadas' dos últimos tempos. Se espera muito desse time.

No entanto, a longo prazo, não? Não, no futebol brasileiro não existe margem para construção. O técnico, em qualquer projeto parece peça fundamental para forjar um time campeão ou ao menos bem sucedido – O RB Leipizig é extremamente bem sucedido, o RB Salzburg vende vários jogadores que estão nas prateleiras mais altas na Europa, e o Bragantino, o que pretende fazer? Me parece, que as motivações do projeto são bem claras: formas e vender jogadores, se manter na elite, conquistas de forma gradual um espaço para começar a sonhar com títulos expressivos.


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