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Morumbi 60 anos: Top-10 jogos no estádio

Há 60 anos, em um amistoso entre São Paulo e Sporting de Portugal, o estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, era inaugurado. Até hoje, o Morumba é o maior estádio privado do Brasil e o maior estádio de São Paulo. E por conta do aniversário, o Na Gaveta vem listar os 10 maiores jogos no Morumbi.

10 – São Paulo 1x2 Internacional – Copa Libertadores 2006


A década de 1990 parecia ser um conto de fadas para o Colorado, que havia passado por maus bocados nos anos 1980, mas tudo virou um pesadelo. Campeão da Copa do Brasil de 1992, ano que o Grêmio voltava a Série A em nono lugar, o torcedor do Inter viu o rival ganhar tudo, como na década de 1980. Sem um grande título desde 1992, a chance surgiu em 2005, mas por conta dos jogos remarcados em função do escândalo da Máfia do Apito, o time gaúcho perdeu o título brasileiro de 2005. O grande título viria em 2006.

Como Pedro Ernesto narrou, Sóbis deixou o São Paulo de joelhos no Morumbi. Reprodução: Zera Hora

O Colorado decidiu a final da Libertadores contra o São Paulo, atual campeão da América e do Mundo. No primeiro jogo, no Morumbi, Rafael Sóbis deixou o São Paulo de joelhos em oito minutos. O Inter, que comandava a partida, começou a construir a estrada para o título inédito aos oito do segundo tempo e concluiu aos 16 minutos, nos dois gols de Sóbis. O Tricolor ainda achou um gol no final do jogo, mas estava totalmente sem rumo. Na partida de volta, o Colorado abriu vantagem duas vezes e segurou o empate em 2x2 para enfim soltar o grito de campeão da Libertadores.


9 – Corinthians 1x0 São Paulo – Campeonato Brasileiro 1990


O corintiano ouvia sempre a piada que era um time regional, que jamais ganharia um título nacional. As coisas mudariam em 1990, quando Neto carregou o Timão nas costas e fez o Corinthians ser campeão brasileiro. A jornada foi difícil, com rivais duros, mas Neto sempre esteve lá para decidir. Na decisão, o São Paulo, que havia sido vice campeão brasileiro em 1989, para o Vasco da Gama.

O primeiro a Fiel nunca esquece. Reprodução: Youtube

O Corinthians saiu na frente na decisão, com gol de Wilson Mano no início do primeiro jogo, e obteve a vantagem de jogar por um empate na finalissíma. Mais de 100 mil pessoas foram ao Morumbi no dia 16 de dezembro de 1990. Tupãzinho, que até aquele dia era um bom jogador mas coadjuvante, se tornou o herói da Fiel Torcida ao marcar no início do segundo tempo o gol do primeiro título brasileiro do Corinthians, logo em cima de um rival estadual. Depois daquele título, o Timão conquistaria mais seis títulos brasileiros em 26 anos, se tornado um dos maiores campeões da competição, com sete títulos no total.


8 – São Paulo 4x0 Atlético PR – Copa Libertadores 2005


O último título de Libertadores do São Paulo foi épico. O tricolor despachou o Palmeiras e o River Plate antes de decidir a América contra o Atlético PR, sensação da primeira metade dos anos 2000. O primeiro jogo foi em Porto Alegre devido a baixa capacidade da Arena da Baixada. No Sul, empate por 1x1. Na volta, os são-paulinos fizeram o Morumbi rugir e o São Paulo atropelou o Furacão, que poderia ser campeão, mas o meia Jadson perdeu um pênalti no finalzinho do primeiro tempo, quando a final ainda estava 1x0.

Em 2005 o Morumbi e tornava o MorumTRI. Reprodução: Youtube

No segundo tempo, Fabão, Luizão e Diego Tardelli ampliaram e o São Paulo se consagrou tricampeão da Copa Libertadores e assumiu o posto de clube brasileiro com o maior número de Libertadores. Posto que atualemnte é dividido com Grêmio e Santos.


7 – Corinthians 1x3 Grêmio – Copa do Brasil 2001


O copeiro Grêmio tem ótimas recordações do Morumbi. O tricolor venceu o Brasileirão de 1981 e no estádio e confirmou a sua fama de copeiro 20 anos depois. Tite, que seria consagrado como o maior técnico do Corinthians, apareceu para o Brasil justamente numa final sobre o alvinegro. O consagrado Luxemburgo estava em baixa após a demissão da Seleção em 2000, mas no Corinthians conquistou o Paulistão e tinha tudo para conquistar a Copa do Brasil. Do outro lado, o Grêmio apostava na juventude de Tite na comissão técnica e na experiência de Zinho e Marcelinho Paraíba em campo. Em Porto Alegre, os paulistas abriram 2x0, mas cedeu o empate. A fiel lamentou o empate, mas podendo empatar em 0x0 e em 1x1 no Morumbi lotado, os corintianos tinham certeza do título, ainda mais pela partida que a equipe fez.

Tite anulou Luxa e levou o tetra para o Olímpico. Reprodução: UOL

Por muitos anos o segundo jogo daquela decisão foi o exemplo mais nítido da expressão “Nó tático”. O Grêmio não deixou o Corinthians jogar e foi taticamente perfeito. Marinho e Zinho abriram 2x0 e encaminharam o título. Mas os gremistas relaxaram e faltando quinze minutos, Ewerthon diminuiu para o Corinthians. Mas o tetra campeonato do Grêmio viria aos 43 minutos, com Zinho cruzando pela esquerda e Marcelinho Paraíba mandando para o gol o sonho corintiano.


6 – Palmeiras 4x0 Corinthians – Campeonato Paulista 1993


O torcedor do Palmeiras festejou, mais com pouca ênfase, o título paulista de 1976. Se os palmeirenses soubessem que ficariam 16 anos sem título, teriam comemorado muito mais. Entre eliminações vexatórias para times do interior, vice brasileiro para o Guarani e o vice paulista para a Inter de Limeira, a fila começou a ter seu fim em 1992, quando a Parmalat veio ao Brasil para patrocinar o alviverde.


Com contratações milionárias, o Palmeiras contava com um elenco recheado e um treinador jovem e ambicioso. A equipe de Vanderlei Luxemburgo foi encantando a todos até o primeiro jogo da final, quando o Corinthians venceu por 1x0, com gol de Viola. De um lado havia a pressão dos 16 anos e de ser um time rico, mas do outro havia a provocação de Viola, que imitou um porco após o gol. Luxa conseguiu motivar suas estrelas que não tiveram piedade nenhuma do rival.

Depois de 1993, o dia dos namorados nunca mais foi o mesmo. Reprodução: Analise Retrô

Bastava vencer por 1x0 que a partida iria para a prorrogação, mas o Palmeiras passeou em campo e fez 3x0. Podendo empatar no tempo extra, o alviverde se consagrou campeão aos nove minutos do primeiro tempo da prorrogação, quando Evair converteu o pênalti e marcou na história o dia 12 de junho de 1993.


5 – Palmeiras 0(2)-(4) Boca Juniors – Copa Libertadores 2000


A era Carlos Bianchi no Boca Juniors não deu chances a qualquer adversário na América do Sul. Entre os anos de 1998 até 2003, o Boca emendou quatro títulos argentinos, três Libertadores e dois títulos mundiais. A primeira Libertadores das quatro que o Boca venceu em sete anos começou no dia 21 de junho de 2000. O clube xeineze havia eliminado o River Plate nas quartas-de-final, em noite mágica na Bombonera, com Palermo marcando o gol da classificação após ficar seis meses sem jogar.

Na final, o Boca enfrentou o Palmeiras, atual campeão da Libertadores e que vinha de uma classificação heroica sobre o Corinthians. No primeiro jogo, a arbitragem prejudicou muito os brasileiros, que conseguiram arrancar um empate em 2x2. Na volta, o alviverde decidiu jogar n o Morumbi e não no Parque Antártica, palco da decisão de 1999. A escolha foi porque o Morumbi abrigaria mais torcedores que o Palestra Itália, mas a decisão não foi sábia.

A primeira Libertadores da dupla Riquelme e Palermo. Reprodução: Libertadores

Sem a pressão da torcida, o Palmeiras pouco agrediu o Boca, que foi levando a partida para as penalidades máximas. Na disputa de pênaltis, Cordoba defendeu as cobranças de Asprilla e Roque Júnior e Bermúdez marcou o gol do título azul e dourado. O Boca viria ganhar mais uma Libertadores no Morumbi, em 2003 contra o Santos de Diego e Robinho.


4 – Corinthians 2x3 Santos – Campeonato Brasileiro 2002


Após a Era Pelé, o Santos viveu décadas sombrias. Apesar de conquistar alguns títulos, o time da Vila Belmiro não era nem 10% daquilo que já havia sido, mesmo com contratações caras como foi a montagem da equipe de 2000 e 2001. Emerson Leão assumiu um clube com graves problemas financeiros e em crise com a torcida, que matinha as faixas de cabeça para baixo enquanto o Santos não ganhasse o título brasileiro ou o título paulista.

Com jogadores formados em casa, como Robinho, Diego, Elano, Renato, Fábio Costa, André Luis e Léo, o Peixe se classificou em oitavo, por conta da derrota do Coritiba no Paraná. Eliminou o São Paulo, favorito ao título, nas quartas de final e eliminou nas semifinais o Grêmio. A final seria contra o maior rival, o Corinthians, que havia sido campeão do Rio/São Paulo e da Copa do Brasil. Jogando por dois resultados iguais, o Timão relaxou no primeiro jogo e levou 2x0 do Santos.

Em 2002, a magia dos Meninos da Vila fazia o Santos a retomar o caminho das glórias. Reprodução: GE

Na segunda partida, o meia Diego saiu logo no início, entrando Robert em seu lugar. Ainda no primeiro tempo, Robinho deu oito pedaladas e só foi parado por Rogério dentro da área. Pênalti que o jovem converteu. O jogo foi se arrastando até os trinta minutos do segundo tempo. Enquanto a torcida santista já gritava “É Campeão!”, os corintianos respondiam cantando o hino do clube. Em campo, Deivid empatava para o Corinthians e dez minutos depois, Anderson virava o jogo. Mais um gol e o Corinthians seria tetra campeão brasileiro. As lembranças da semifinal do Paulistão de 2001, onde o alvinegro do Parque São Jorge eliminou o Santos no último lance do clássico, estavam vivas na cabeça de todos. Demorou três minutos para Robinho disparar pela direita e encontrar Elano na área que só empurrou para o gol.

A festa só estaria completa com o golaço de Léo, aos 47 minutos do segundo tempo, dando números finais ao Brasileirão de 2002. Festa santista no Morumbi e a última final da história do Campeonato Brasileiro terminou de uma forma épica.


3 – Ponte Preta 0x1 Corinthians – Campeonato Paulista 1977


22 anos de fila seriam enterrados na noite de 13 de outubro de 1977. 22 anos de terror vividos pela massa corintiana, que amargou um vice para o rival Palmeiras em 1974 e um vice brasileiro para o Internacional em 1976. No primeiro jogo, o Corinthians venceu por 1x0 e precisava vencer a segunda partida para confirmar o título.

Para muitos, o gol mais importante do Corinthians foi de Basílio, em 1977. Reprodução: Band Esporte

No segundo jogo, 146 mil pessoas foram ao Morumbi, recorde de público do estádio, mas a Ponte Preta venceu o Timão por 2x1, forçando o terceiro jogo. Então chegamos ao dia 13/10/1977. O empate era da Ponte, que havia perdido o craque Rui Rei, que afirmou anos depois que foi expulso propositalmente. Mas as coisas não ficaram fáceis para o alvinegro da capital, que só foi marcar aos 36 minutos do segundo tempo. Após um bate-rebate na área pontepretana, Basílio marcou o gol que espantou mais de duas décadas de sofrimento da Fiel Torcida.


2 – Palmeiras 3(5)x(4)2 Corinthians – Copa Libertadores 2000


O maior momento do maior clássico brasileiro foi decidido no Morumbi. Palmeiras e Corinthians protagonizaram clássicos emocionantes nos anos 1990. Foram uma final de Brasileiro, quartas-de-final da Libertadores e três finais de Paulistão. Atual campeão mundial e bi campeão brasileiro, o Corinthians vinha mordido pela eliminação na Libertadores de 1999, quando o Palmeiras eliminou o rival e se sagrou campeão. No primeiro jogo, o domínio alvinegro não se refletiu em um placar gordo, mas a vitória de 4x3 era importantíssima.

Um Pé de Anjo que não foi páreo para as mãos de um Santo. Reprodução: Gazeta Esportiva

No segundo jogo, o alviverde sai na frente, mas Luizão vira o jogo e encaminha a vaga na final. Porém, Alex e Galeano viraram novamente o clássico e a vaga seria decidida nos pênaltis, como em 1999. Todos foram convertendo até que Marcelinho Carioca, a maior estrela do Corinthians, parou em São Marcos e o Palmeiras eliminou o Timão mais uma vez na Libertadores. Entretanto, o alviverde iria amargar um vice campeonato para o Boca Juniors.


1 – São Paulo 1(3)x(2)0 Newell’s Old Boys – Copa Libertadores 1992


No primeiro lugar nada mais justo que a primeira Libertadores do São Paulo. Na gelada noite do dia 17 de junho de 1992, o Tricolor teria que reverter a vantagem do NOB, que havia ganho o 1º jogo por 1x0. Raí, o terror do Morumbi, fez o gol da vitória de pênalti, e a final foi decidida nas penalidades máximas.

1992, o início do caso de amor entre São Paulo e Libertadores. Reprodução: Pinterest

Raí, Ivan e Cafu converteram, mas Ronaldão perdeu. No último pênalti, Zetti defendeu a cobrança Gamboa e os 105 mil são-paulinos, com certeza haviam mais pessoas pois as catracas foram quebradas, explodiram de felicidade e invadiram o gramado para festejar a primeira das três Libertadores do São Paulo. A final, que não foi transmitida ao vivo, serviu como inspiração para que a Libertadores virasse obsessão dos clubes brasileiros. Vale lembrar que aquele time era comandado por Telê Santana e havia ganho o Brasileirão de 1991, venceria o Mundial no mesmo ano e repetiria a dose em 1993, conquistando novamente a América e o Mundo.

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