• João Lamêgo

Mesmo em um Castelão sem torcida, futebol não faltou para Ceará e Fortaleza


Os dois grandes do Ceará, que haviam ganhado suas últimas partidas respectivamente por 5 a 0, se enfrentaram nesta quarta-feira (15). E de fato, a ausência da torcida fez diferença no comportamento dos jogadores, porém o futebol apresentado pelas equipes esteve em dia.


O resultado foi um ótimo Clássico-Rei, digno de se virar a noite assistindo, ainda mais para o torcedor do Leão, contente com a vitória de seu time por 2 a 1, apesar da pressão cearense no fim da partida.


O destaque do jogo: o coletivo do Fortaleza. / Foto: Pedro Chaves/FCF

Para começar falando do mandante do jogo, o Ceará foi à campo com Prass no gol, Tiago Pagnussat e Eduardo Brock na zaga e, fechando as alas, Samuel Xavier e Bruno Pacheco. No meio de campo, Charles, Ricardinho e Vinícius fariam o tripé para que a bola chegasse no ataque composto por Lima, o destaque das últimas partidas do Vozão, Felipe Silva (Baixola) e mais centralizado, Rafael Sóbis. Entretanto, ao assistir a partida, os telespectadores perceberiam a dificuldade de criação que o time comandado por Guto Ferreira teria no jogo. O Ceará seria ofuscado pelo Fortaleza, embora tivesse começado a partida melhor, pressionando e atacando o oponente.


Rogério Ceni deu o famoso nó tático em seu adversário, muito pelo mérito de seu treinamento com a equipe leonina, que parece que joga em conjunto há no mínimo uns cinco anos.


Com a escalação dos ''quatro atacantes em campo'', embora Rogério Ceni não goste de tal alcunha ao seu esquema tático, o Leão encarou o seu maior rival com o reforço do goleiro Felipe Alves, finalmente de volta ao gol, e Paulão e Quintero como os xerifes da zaga. Carlinhos e Tinga deram apoio pelos flancos aos dois jogadores do meio campo, Felipe e Juninho, com Romarinho voltando um pouco mais que os outros atacantes para buscar jogo, funcionando como uma combinação de meia armador e segundo atacante. Yuri César (pela esquerda) e David (pela direita) imprimiram velocidade, enquanto Wellington Paulista foi a referência.


O JOGO


Começou bastante pegado. Entre divididas um pouco mais ríspidas e tentativas de organizações de jogo, até pouco menos dos quinze primeiros minutos, o Ceará teve mais posse de bola e ditava o ritmo de jogo. Incomodando os zagueiros e até mesmo o goleiro do time adversário, o mandante obrigava seu rival a dar chutões para o campo de ataque. Contudo, os jogadores do Vozão se cansariam de realizar a marcação-pressão pela qual estavam conseguindo manter essa posse de bola, muito pela falta de ritmo, e logo após pararem de fazê-la, o Fortaleza cresceria na partida.


Logo, foi pelo lado direito que o Leão começou a ganhar força, surgindo suas melhores jogadas trabalhadas, contando essencialmente com o vigor físico de Tinga e David. Pelo lado esquerdo - menos requisitado até então na partida -, com Carlinhos e Yuri, havia a qualidade técnica e a velocidade dos jogadores como os principais atributos, que seriam melhor explorados no segundo tempo.


O confronto estava bem interessante de assistir principalmente devido ao embate entre a pressão exercida pelo Ceará contra as linhas altas do time treinado por Rogério Ceni. Então, após a parada técnica e uma pausa na intensidade do Ceará, houve o primeiro gol da partida. Em escanteio batido por Juninho (28'), Wellington Paulista marcou de cabeça, após a bola ter sido escorada por Tinga no primeiro pau.


Após o gol marcado, o Fortaleza relaxou, com o Ceará inclusive tendo um gol anulado (35'). Posteriormente, o jogo seguiu morno até o final do primeiro tempo, com um maior domínio do Ceará. O lateral Tinga, que saiu machucado no final da primeira etapa, foi o melhor em campo quando esteve nele.


No início do segundo tempo, o Fortaleza voltou dominando o jogo com várias oportunidades claras de gol. Não parando de infernizar a defesa do Ceará até sair o segundo, com Yuri César, em chutaço de fora da área (6' 2T). Este atleta que com certeza, foi a melhor adição do Fortaleza para esse ano, por mais que tenha sido por empréstimo. Ainda necessita de maior entrosamento com o restante da equipe, mas os 4 gols em 4 jogos pelo Leão só provam o imenso potencial do atleta que pertence ao Flamengo. Logo mais estará na Europa.


O ''moleque liso'' já caiu nas graças da imensa torcida do Leão. / Foto: Leonardo Moreira/Fortaleza EC

Enquanto isso, os principais jogadores de criação do Ceará estavam apagados na partida: na transmissão o que mais se ouvia era o nome dos dois zagueiros do Vozão. Isto é uma crítica feroz aos meias armadores de qualquer equipe. Aquele que mais se sobressaiu na tentativa de levar o time para a frente foi o volante Charles, com boas arrancadas e desarmes precisos.


Em linda defesa (21' 2T), em cabeçada de estilo de Romarinho, Fernando Prass evitou o que seria o terceiro gol do Fortaleza. Guto Ferreira precisou mexer para mudar os ânimos do time, que já parecia entregue. As trocas que deram mais certo foram justamente aquelas as quais provavelmente a torcida vaiaria o técnico no estádio: Bergson, extremamente criticado pelo torcedor, entrou no lugar de Rafael Sóbis e Rick, jovem atacante de beirada do campo recém subido da base, substituiu Lima.


Com mais velocidade após as mudanças e atrapalhando os adversários na saída de jogo, o Ceará voltou a pressionar pela bola. A intensidade dos novos jogadores em campo surtiu efeito: após cruzamento de trivela de Rick na medida certa (aos 46' do segundo tempo), Bergson anotou de cabeça. O que deu certo nessa jogada e não estava dando anteriormente era o fato de Rafael Sóbis não funcionar jogando de centroavante isolado, ainda mais contra uma defesa bem postada. Em diversos momentos, teve que voltar para buscar a bola na zona intermediária do campo. Com Bergson, apesar de menor refino na qualidade, o Ceará tinha um homem de área para dificultar o trabalho de Paulão e Quintero.


Então, com o gol achado pela intervenção de Guto Ferreira na partida (embora tardia), houve um aumento intenso na energia do time do Ceará, que pressionou até o último segundo, mas já era tarde demais: o Fortaleza resistiria e sairia vitorioso do clássico.


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