• Mariana Costa

Há um ano, o Flamengo pedia a Libertadores em casamento e ela disse sim após 38 anos

A exato um ano, o @Flamengo se consagrava campeão após 38 anos com dois gols de Gabriel Barbosa nos últimos minutos da partida.


Flamengo se consagra campeão da Libertadores. (Foto: @AlexandreVidal1)
Flamengo se consagra campeão da Libertadores. (Foto: @AlexandreVidal1)

Há um ano, o Flamengo pediu a Libertadores em casamento e ela disse sim após 38 anos. O dia que a vida de 42 milhões de Rubro-Negros mudava para sempre. Nenhum roteiro seria mais emblemático e emocionante do que acompanhamos em Lima, no dia 23 de novembro de 2019. Foram 38 anos de angústia a espera do principal torneio da América do Sul. Se antes o flamenguista ouvia seus pais e avós contarem sobre a equipe de Zico, hoje eles batem no peito e relembram o time de Jorge Jesus, Gabigol, De Arrascaeta, Rodrigo Caio, Bruno Henrique... É hora de recordar e se emocionar.


Não era uma partida normal! Pela primeira vez na história, a Libertadores da América era decidida em jogo único e em um país escolhido com antecedência. Do outro lado do campo, o River Plate de Marcelo Gallardo era o atual campeão. Mas o Flamengo queria e precisava daquele troféu como nenhuma equipe. Antes mesmo de iniciar a partida, uma cena chamou atenção de todos em particular dos argentinos. Gabriel Barbosa tocava na taça ao entrar em campo e todos os hermanos se chocavam com a cena. Na Argentina existe uma premissa e uma canção que diz, "Se mira, pero no se toca", mas Gabigol não queria saber desse lema.

O jogo se iniciou com um Flamengo partindo para cima, mas o River Plate não era o atual campeão por acaso. Logo aos15 minutos do primeiro tempo, o River abriu o placar com falha de Gerson e Arão. O recado era dado ao Flamengo, "se quer vencer, que jogue como um campeão". O Fla tentava de todas as formas furar uma defesa impecável do adversário, mas não alcançava o objetivo. O Rubro-Negro ainda se encontrava otimista nas arquibancadas, mas receoso com atuação.



Equipe titular do Flamengo na final da Libertadores. (Foto: @delmirojunior)
Equipe titular do Flamengo na final da Libertadores. (Foto: @delmirojunior)

Foi que aos 11 minutos da segunda etapa, Bruno Henrique cruzou na medida, De Arrascaeta furou, Gabigol chutou para o bloqueio de De La Cruz. No rebote, Everton Ribeiro viu Franco Armani voar para tirar o empate do time. Parecia não ser o dia. Só que Gabriel Barbosa não desistiria facilmente. Jorge Jesus faria substituições e uma delas mudaria a história da decisão. Gerson deixou o gramado lesionado para entrada de Diego Ribas e o destino resolveu se apresentar.

Logo após Gabriel fazer uma falta em Lucas Pratto, o artilheiro respirou fundo, muito fundo para se tranquilizar. Foi neste o momento que tudo mudou. Pratto perdeu a pelota para De Arrascaeta, que acabou passando para Bruno Henrique, o camisa 27 deu a volta e encontrou o uruguaio no meio da defesa argentina, De Arrascaeta se esticou e deixou Gabriel Barbosa apenas para finalizar e empatar. Nesse mesmo instante, a cidade do Rio de Janeiro se encontrava em êxtase. Era possível, um clube que demorou 38 anos para chegar na final não desistiria facilmente. Inexplicável o que viria após a saída de bola do River Plate.



Torcida do Flamengo no estádio Monumental. (Foto: @delmirojunior)
Torcida do Flamengo no estádio Monumental. (Foto: @delmirojunior)

Num tiro de meta após um impedimento marcado. O meia que sempre foi questionado por fracassar nas horas essenciais, alterou seu nome dentro do clube. Diego Ribas lançou, Pinola cabeceou errado atrapalhando seu companheiro de zaga e foi nesse exato minuto, que os corações de milhões de pessoas batia lentamente como se o tempo parasse. Gabigol correu e chutou no meio do gol, Armani até tentou mas esse enredo já estava escrito nas estrelas. Era a virada heroica! Grande parte da torcida do Flamengo se quer assistiu o gol, porque a maioria se encontrava em lágrimas com o primeiro. Deu tempo de Palacios e Gabigol serem expulsos, mas já não importava nada, a "Glória Eterna" vestiria vermelho e preto pela segunda vez na história da América do Sul.


No Rio de Janeiro, um temporal se iniciou após a partida. Era Jesus lavando a alma de um torcedor que sofreu com várias humilhações durante uma década inteira. Um dia mágico que mostrou que não existe nada impossível para quem veste Rubro-Negro. A final de Lima jamais será superada independentemente de qualquer troféu. Foram gerações a espera de uma conquista que ficará para sempre eternizada na alma de todo Rubro-Negro.

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