Em goleada histórica, Barcelona vê hegemonia chegar ao fim


Foto: Manu Fernandez/EFE


Independente das circunstâncias, uma goleada por 8 a 2 assusta qualquer um. O jogo válido pelas quartas de final da Champions League, entre Bayern de Munique e Barcelona, no Estádio da Luz, foi uma demonstração clara que a hegemonia do clube catalão acabou. A história recente de glórias e títulos foi enterrada ontem sem menor pudor ou respeito. Os bávaros literalmente destruíram.


Mas antes de entrar em campo, é necessário entender como o clube que iniciou a década encantando o mundo com tiki-taka de Pep Guardiola chegou ao fundo do poço sendo derrotado por 8 gols em uma partida de 90 minutos.


Gestão desastrosa

Foto: Getty Images


O presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, é o grande responsável desse declínio. O dirigente assumiu o comando do clube na temporada 2014-2015, quando o trio MSN dominava o futebol mundial e conquistava a última Champions League para os catalães. Depois disso, as coisas começaram a desandar. Xavi e Iniesta, dois dos grandes símbolos do clube na história, envelheceram e se despediram rumo ao futebol asiático.


Neymar foi vendido por 222 milhões de euros (maior transferência da história), diziam que a oferta era irrecusável, mas o tempo assegurou que não. Após a saída do atacante, o clube ainda não encontrou um sucessor à altura. Dembelé e Grienzmann juntos custaram 225 milhões de euros e não trouxeram metade do retorno esportivo do brasileiro.


Tratando-se de contratações, ele investiu em diversos atletas que não se firmaram e já foram para outro clube. É o caso de jogadores como Malcom, Paulinho, Cillesen, Aleix Vidal, Digne, Murillo, Mina, Todibo, Ardan Turan, André Gomes, Denis Suarez, Kevin Prince Boateng, Paco Alcacer e Coutinho.


Este último foi um dos personagens da partida de ontem. Coutinho chegou ao Barça por 130 milhões de euros, atuou por apenas uma temporada e meia, marcando 22 gols em 77 jogos. Sem espaço, Bartomeu optou por emprestar o meia ao Bayern.


No jogo, o brasileiro deu uma assistência e marcou dois gols que culminaram no maior vexame da história do clube. O fato curioso evidencia ainda mais a péssima administração do dirigente.


Elenco limitado

Foto: Reuters/ Rafael Marchante


O presidente colabora, mas não entra em campo. Não há como desvincular os jogadores da iminente culpa da atuação vexatória na partida de ontem. O Barcelona foi à campo com Ter Stegen, Semedo, Piqué, Lenglet, Jordi Alba, Vidal, De Jong, Busquets, Sergi Roberto, Messi e Suárez.


Analisando cada jogador da equipe titular, os únicos indiscutíveis são Messi e Ter Stegen, que são basicamente o arco e a flecha do clube catalão. De Jong ainda não se firmou, mas fez alguns bons jogos, é necessário tempo para lapidá-lo.


Já Busquets, Jordi Alba e Suárez são personagens históricos do clube, só que vivem em declínio, mas ainda representam o menor dos problemas. Lenglet e Sergi Roberto possuem uma carreira pela frente, mas que seja construída em outro lugar, não há espaço para jogador “ok” no Barcelona.


Agora, Semedo não tem a menor possibilidade de VESTIR a camisa blaugrana. Apenas uma informação em meio à análise, em 2016-2017, Bartomeu não renovou com Daniel Alves e destinou a ala direita ao português (haja amadorismo).


Para a próxima temporada, eu diria que abrir mão do Piqué não é opção, é necessário. O Bayern de Munique é um bom exemplo disso. No ano passado, os bávaros não renovaram com Robben e Ribéry. Homenageou e agradeceu os jogadores pelos serviços prestados, mas seguiu o caminho para manter a trajetória vencedora no futebol alemão.


Em entrevista coletiva no pós-jogo, Piqué até se ofereceu a sair do clube para uma nova reconstrução.


- Ninguém é imprescindível, eu estou aqui me oferecendo, se tiver que sair, se tiver que sangrar, eu sou o primeiro a sair e deixar o clube. Todos temos que olhar e refletir internamente sobre o melhor para o Barcelona, que é o mais importante - afirmou o zagueiro.

Técnico aquém do tamanho do clube

Foto: Reuters/ Manu Fernandez


Quem poderia imaginar que Quique Setién daria errado? Acredito que a maioria! O treinador chegou ao Barcelona depois do clube ser eliminado vergonhosamente da Champions League duas vezes consecutivas (Roma e Liverpool). Mas Quique superou e atingiu a marca de ser o técnico no maior vexame em 121 anos de história do Barça.


É como se Bartomeu tivesse chamado o Tocha Humana para apagar um incêndio em sua casa. Após a vaca ir para o brejo, a cúpula catalã demitiu o comandante nesta sexta-feira (14).


Com o fim da temporada, o momento é de analisar o mercado e os nomes cotados para escolher alguém capaz de entender a dimensão do clube que comanda. Não há mais espaço para treinador mediano, o Barcelona exige excelência.


Por fim, mesmo que triste e com remotas esperanças, acredito em uma ressurreição nos próximos anos. Afinal, o Barcelona é ‘més que un club’.

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