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Como o Flamengo foi do céu ao inferno em 376 dias

376 dias após conquistar de forma heroica a Libertadores da América, o Flamengo está eliminado da competição de forma até vexatória, pelo elenco superior e pela partida superior que teve. Entretanto, não se engane que o maior problema do Flamengo é esse.


Quando o jornalista Mauro Cezar alertou sobre a política rubro-negra ser o maior adversário do clube em 2020, muitos o hostilizaram. Isso é só mais um sintoma de que ele estava certo, afinal grande parte da torcida estava, alguns continuam, enxergando apenas os títulos conquistados pela gestão Landim. Logo depois, Jorge Jesus reafirmou essa fato e assim os torcedores começaram a abrir os olhos.


O início foi na demissão, até hoje muito mal explicada, de Paulo Pelaipe, o homem que trouxe Jorge Jesus para o Brasil. Após disso, Wallin Vasconcelos saiu do clube, após ser o criador da filosofia que mudou o Flamengo e após comandar as finanças em 2019, gerando mais de 900 milhões de reais de lucro.


Após sofrer uma goleada em pleno o Maracanã, o Flamengo foi eliminado pelo mesmo São Paulo. Créditos: Mídia News

As metas esportivas foram muito arriscadas. Semifinal da Libertadores, vice brasileiro, final da Copa do Brasil. Você pode pensar que no início do ano era comum pensar assim, só que um clube cuja a administração preza por não se exceder e olhar times europeus como referência, rasgou totalmente essa filosofia. Nenhum clube tem como metas financeiras o que o Flamengo fez. Nem o Real Madrid em 2017, após embalar duas Champions seguidas, fez uma meta tão ousada. Com as eliminações na Copa do Brasil e da Libertadores, o rubro-negro deixou, momentaneamente, de ganhar 30 milhões de reais. Porém, esse dinheiro seria apenas por passar de fase. O Flamengo contava com a classificação para as semifinais da Libertadores e com a final da Copa do Brasil. São mais duas bonificações que devem totalizar quase 100 milhões de reais a menos.


Com esse planejamento de outro mundo, o Flamengo foi brigar contra a TV Globo por querer ter uma verba maior no desprestigiado Campeonato Carioca. Os 18 milhões de reais perdidos ontem no Maracanã foi o valor que o clube não aceitou da emissora. A torcida apoiou, mas se viu traída no momento em que os dirigentes quiseram colocar a semifinal da Taça Rio no aplicativo MyCujoo, conhecido por transmitir divisões inferiores de Campeonatos Estaduais e por transmitir jogos universitários. O sistema falhou e o Flamengo teve que passar, de forma gratuita, a partida no youtube.


O abatido Renê é o retrato do Flamengo, que perdeu três vezes em 17 dias para o São Paulo. Créditos: Lance!

Somado a tudo isso, veio a pandemia do novo coronavírus. O clube, que liderou o ranking de maior lucro com bilheteria no Brasil, viu esse dinheiro sumir. Viu o programa de sócio torcedor, tão mal administrado, entrar em crise e perder, de forma drástica, seus associados. A previsão é que somando todo o caixa, pelo menos, 200 milhões de reais não entrem mais nos cofres do Flamengo.


Além de todo o problema financeiro, vem o problema administrativo. Desde 2019, há uma briga interna intitulada pelos rubro-negros de Flamengo do Ninho x Flamengo da Gávea. BAP e Marcos Braz, que se reuniram horas antes da partida de ontem, brigam feio nos bastidores. Aliás, essa briga custou o cargo de Paulo Pelaipe, segundo as fontes no clube. No seu lugar entrou Gabriel Skinner, parente de BAP e que é acusado de vazar informações para jornalistas. Além de PP, Jorge Jesus não gostava dessa confusão e um dos fatores que podem ter levado à saída do português é justamente essa briga.


Com a saída de Jorge Jesus, o Flamengo entrou em colapso. A tal excelência, tão elogiada em 2019, começava pelos mínimos detalhes. O primeiro são os gramados do Maracanã, do Ninho do Urubu e da Gávea, que se encontram em estado deplorável. O Departamento Médico, tão elogiado, não consegue mais recuperar jogadores importantes. Gabigol, autor dos dois gols na final de Lima, está com um nítido desiquilíbrio muscular. Rodrigo Caio, Pedro, Arrascaeta e Bruno Henrique são jogadores que se recuperaram em tempo bem maior do que o previsto.


Uma expulsão e na sequência um gol sofrido. Créditos: Yahoo!

Ainda há as entrevistas coletivas onde poucos jornalistas tem as suas perguntas, pertinentes para grande parte da torcida, escolhidas. Enquanto isso, influenciadores do Flamengo, que tiravam fotos há um mês atrás com Marcos Braz, que afirma que não há nenhuma necessidade de se contratar um psicólogo para o grupo, sempre têm questionamentos respondidos. E dias antes da partida contra o Racing no Maracanã, Rodolfo Landim nomeou Guilherme Kroll para assumir a pasta de esportes olímpicos. O novo dirigente do Rubro-Negro criticou durante anos o projeto de reestruturação financeira do clube. Projeto esse idealizado por Wallin Vasconcelos e pelo presidente Landim.


Com toda a situação caótica dentro do campo, na política do clube, na forma de se administrar a pasta financeira, ainda surge que a transparência com os esportes olímpicos não ocorre mais. A impressão para, o agora ex-diretor dos esportes olímpicos do Flamengo, é que há um desvio de verba para o futebol. O Flamengo se encontra, há um ano da eleição, a beira um colapso total. Se há em 766 dias falávamos em uma possível hegemonia, como a do próprio Flamengo na década de 1980, hoje podemos falar de uma possível ruptura no processo de restruturação do clube, que pode começar a se mergulhar em dívidas.


E o sonho do tri no Maracanã foi por água abaixo. Créditos: Vavel

Com menos recursos e tendo duas peças importantes para serem contratadas em no final de 2020, o futuro do Clube de Regatas do Flamengo será extremamente conturbado. Chegou a hora de pensar em 2021 que tem eleições, uma nova temporada, menos recursos e briga interna sem fim que provoca falhas administrativas.

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