• Bruno Lobão

As maiores maldições da história do futebol


Em qualquer parte do mundo, futebol e superstição caminham juntos, seja no psicológico dos jogadores ou dos torcedores. É bastante comum, em véspera de jogo importante, algumas promessas ou "mandingas" para tentar a sorte na batalha, mas às vezes elas podem custar caro futuramente. Muitos acreditam que isso tem um papel importante na decisão de campeonatos, principalmente quem acredita em carmas. Dito isso, listamos algumas das maiores "maldições" da história do futebol, seja de antigamente ou dos dias atuais.



MALDIÇÃO DE TILCARA - SELEÇÃO ARGENTINA


O ano era 1986. Prestes a disputar mais uma Copa do Mundo, a Argentina, treinada por Carlos Bilardo, resolveu fazer um período de treinamentos no pequeno vilarejo de Tilcara, na região norte do país. O objetivo era promover a adaptação da equipe na altitude, já que o local estava situado há 2.460 metros do nível do mar, similar à capital mexicana. Lá, os atletas fizeram uma promessa à Virgen de Copacabana de  Punta Curral: em caso de êxito, voltariam à pequena cidade com a taça para agradecer a conquista.


Então, no dia 29 de junho daquele ano, a Seleção Argentina bateu a Alemanha por 3 a 2 no Estádio Azteca e se sagrou bicampeã mundial. Diferentemente do prometido, os protagonistas daquela campanha jamais retornaram à Tilcara, e muitos torcedores e habitantes locais consideram que este é o motivo do imenso jejum que os albicelestes enfrentam. 

Depois da conquista no México, foi uma coleção de fracassos em mundiais: em 1990 foi vice-campeã contra a Alemanha; em 1994 caiu para a Romênia nas oitavas, e na edição seguinte sucumbiu diante da Holanda, nas quartas. Em 2002, saiu na fase de grupos; 2006, 2010 e 2014 caiu para a Alemanha (duas vezes nas quartas e um vice-campeonato) e por fim, em sua última participação, saiu para a França nas oitavas de final. Ao todo, já são 34 anos sem erguer o caneco mais cobiçado do mundo e nem a visita de alguns ídolo à cidadezinha no início de 2018 foi suficiente para quebrar a "maldição".


MALDIÇÃO DE BÉLA GUTTMANN - BENFICA


Béla Guttmann foi um treinador húngaro muito famoso na década de 60, quando, dentre outros feitos, levou o Benfica ao bicampeonato europeu. A equipe portuguesa era absoluta no continente, com craques como José Águas, Mário Coluna e Eusébio, que, juntos eram um verdadeiro inferno para as defesas adversárias. Além deles, tinha todo o mérito do comandante, que fez o XI inicial funcionar muito bem.

No entanto, após a conquista do segundo título da Copa dos Campeões (1962), Guttmann pediu um aumento salarial, recusado pela diretoria da época. Contrariado, deixou o clube e soltou a seguinte frase: "Sem mim, nem daqui há cem anos o Benfica conquistará uma taça continental". E foi aí que começou toda a maldição.


Desde então, o Benfica já foi à 8 finais continentais, e não venceu nenhuma. Isso mesmo, foi vice em todas as decisões que disputou. Ainda nos anos 60, foram três derrotas: para o Milan em 1963, Internazionale em 1965 e Manchester United em 1968 - esta última na prorrogação. 


Em 1983, chegou à decisão da Liga Europa. Mesmo com todo o favoritismo, não conseguiu bater o Anderlecht, algoz da vez, que comemorou o título em pleno Estádio da Luz. Cinco anos mais tarde, foi à final da Liga dos Campeões contra o PSV, mas caiu nos pênaltis: 6 a 5. Duas temporadas depois, nova final, e novamente o adversário era o Milan. Dessa vez, o jogo seria em Viena, local onde Guttmann morreu e foi enterrado. Sem pensar duas vezes, Eusébio e fãs benfiquistas foram ao túmulo do ex-treinador para pedir o fim da maldição, mas nada feito. Com gol de Rijkaard, os Rossoneros comemoraram mais um título e deixaram os portugueses de mãos vazias.


Apenas em 2013, o Benfica voltou à uma decisão continental. Em Amsterdã, os Encarnados enfrentaram o Chelsea na final da Europa League e amargaram mais um vice-campeonato doloroso. Com gol de Ivanovic nos acréscimos, os Blues saíram vitoriosos do duelo e prolongaram o jejum de títulos da equipe lisboeta.


Após esse episódio, foi decidido que seria construída uma estátua de Béla Gutmann em frente ao portão 18 do Estádio da Luz, em busca da "reparação história". Na mesma temporada (2013-14) o Benfica foi mais uma vez finalista da Europa League, dessa vez enfrentando o Sevilla, maior campeão do torneio. Nos pênaltis, Óscar Cardozo e Rodrigo Moreno desperdiçaram suas cobranças, e viram o título escapar novamente. Atualmente, já são 58 anos sem uma única conquista internacional. Agora, resta aos torcedores a fé que em algum momento esse tabu será quebrado, ou então, para os que acreditam em maldições, aguardar 42 anos até o possível título europeu do Benfica.



A MALDIÇÃO DOS SETE GATOS - RACING CLUB


Durante a década de 60, o Racing viveu o seus "anos de ouro". Campeão argentino em 1966, La Academia venceu ainda a Libertadores e a Copa Intercontinental de 1967, sendo dominante no país durante aquele período. Por isso, torcedores do Independiente - rival histórico do Racing - resolveram enterrar sete gatos mortos sob o gol da tribuna popular do Estádio El Cilindro, na tentativa de acabar com a boa fase dos albicelestes. A partir desse dia, os goleiros que defendiam aquele gol passaram a cometer erros inacreditáveis, e o Racing entrou em um enorme jejum de títulos nacionais.


Desesperados, os torcedores organizaram uma escavação para limpar o local, mas apenas seis felinos foram encontrados. Apenas em 1998 o corpo do sétimo gato foi encontrado, e por "coincidência", o Racing quebrou um tabu de 35 anos e voltou a vencer o Campeonato Argentino três temporadas depois, em 2001. Que coisa, não?

MALDIÇÃO DE MAEDA - JUBILO IWATA


O centroavante japonês Ryoichi Maeda, atualmente no FC Tokyo, viveu uma carreira muito sólida em seu país de origem. Ídolo do Jubilo Iwata, Maeda foi revelado e atuou no clube por 14 anos, onde participou de 363 partidas e marcou 154 gols. Mas sua história no futebol japonês ficou marcada por um fato curioso: durante seis temporadas consecutivas, toda equipe que sofreu o primeiro gol de Maeda na temporada acabou rebaixada no mesmo ano. Em 2007, a vítima foi o Ventforet Kofu; em 2008, o Tokyo Verdy; em 2009, o Jef United Chiba; em 2010, o Kyoto Sanga e em 2011, o Motedio Yamagata. Em 2012, a maldição de Maeda foi posta definitivamente à prova, já que seu primeiro gol foi marcado contra o Gamba Osaka, que havia terminado as últimas três temporadas entre os três primeiros. E sim, funcionou novamente. Depois de um campeonato muito ruim, o Gamba Osaka chegou na última rodada na zona de rebaixamento, e adversário era... o Jubilo Iwata! Com um gol e uma assistência de Maeda, o Jubilo venceu por 2 a 1 e pôs fim ao sonho do Osaka de permanecer na primeira divisão. De maneira inacreditável, o centroavante japonês fazia mais uma vítima, pelo sexto ano consecutivo.

Em 2013, a maldição chegou ao fim. A primeira vítima de Maeda, o Urawa Red Diamonds, terminou a competição na sexta colocação, evitando o descenso com folga. Por ironia do destino, naquela temporada o Jubilo Iwata acabou entre os rebaixados, e Maeda deixou o clube no ano seguinte. Seria o feitiço virando contra o feiticeiro? 



A MALDIÇÃO DE RAMSEY - ARSENAL


Há uma teoria que diz que sempre que Aaron Ramsey marca gols, uma celebridade morre. Tudo começou em maio de 2011, quando, atuando pelo Arsenal, o galês marcou um gol contra o Manchester United. Um dia depois, o famoso terrorista Osama Bin Laden foi morto. Em outubro do mesmo ano, Ramsey deixou sua marca no derby contra o Tottenham, e a vítima da vez foi ninguém menos que Steve Jobs. Poucos dias depois, marcou contra o Olympique de Marselha, e no mesmo dia Muammar Gaddafi foi morto na Líbia.


O fato passou a chamar atenção dos jornais britânicos e intensificou quando Whitney Houston foi encontrada morta no mesmo dia que Ramsey marcou contra o Sunderland, em fevereiro de 2012. Outras personalidades famosas como Paul Walker (2013), Robin Williams (2014), David Bowie (2016) e Dennis Edwards (2018) vieram a falecer em dias próximos a um gol de Ramsey, que particularmente não gosta nada da brincadeira. O caso mais recente foi do físico Stephen Hawking, que morreu menos de um semana depois de um gol do galês contra o Milan, em março de 2018.


Bom, se você é famoso e está lendo isso, é melhor tomar cuidado quando Aaron Ramsey estiver campo.



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