Além do técnico e do tático - Aquele sobre a Pedagogia do Esporte

Atualizado: Jan 16


Foto: Acervo pessoal.


Hoje inicio aqui uma nova série de textos onde falaremos sobre alguns treinadores e sobre as novas tendências em Pedagogia do Esporte. Antes de relacionarmos os treinadores a essa área de estudo, preciso, ainda que de forma sucinta, conscientizá-los sobre o que ela é, e o que propõe, para melhor entendimento sobre o que faremos por aqui.

Dito isso, acho importante ressaltar que os estudos em Pedagogia do Esporte iniciaram-se três décadas atrás e, infelizmente, ainda hoje a minoria da população reconhece o que ela é, pois, aqui ainda existe uma certa resistência, principalmente no futebol, sobre novos conceitos, afinal ainda permeia no âmbito futebolístico brasileiro uma certa arrogância por sermos pentacampeões e acharmos que tudo que fazemos por aqui é o melhor que se tem. E apesar de já ter melhorado, também temos um meio ainda muito pragmático e de certa forma preguiçoso e abaixo vocês entenderão o porquê dessa minha afirmação.


O que é?


A Pedagogia do Esporte é uma área de pesquisa e ensino da Educação Física e das Ciências do Esporte, que nos últimos anos tem lutado para quebrar a hegemonia da abordagem tradicional no ensino do esporte. Levando em consideração o processo de ensino, vivência, aprendizagem e treinamento desportivo. Agregando dessa maneira uma maior organização, sistematização, além claro da avaliação das práticas em diversos sentidos.

Ou seja, ela compreende que os movimentos esportivos vão muito além de apenas gestos motores e que as pessoas ali envolvidas são seres humanos, ignorando essa perspectiva de gestos motores robotizados. Por tanto, podemos considerar que a complexidade de todo um processo, independente de faixa etária, será abordada de forma mais abrangente.

Isso faz com que todo o processo seja muito mais interessante para todas as partes envolvidas, pois assim o ensino e a aprendizagem interagem, proporcionando situações de jogo no processo de ensino e nos treinos, preparando de uma maneira melhor os atletas para contorná-las. Logo, ela quebra mais um paradigma, o conhecido “treino é treino, jogo é jogo”. Se levarmos em consideração tudo o que foi dito aqui, o mais correto seria “treino é jogo e jogo é treino”.


Quais as dificuldades?


A meu ver, uma das dificuldades enfrentadas pelas novas tendências da Pedagogia do Esporte é a comodidade de se aplicar as tendências tradicionais e tecnicistas. Não vejo problemas em aplicá-lo, mas sim em aplicá-lo sem entender as bases teóricas que os sustentam, algo que acontece bastante em nossos campos.

Temos que entender o método tecnicista como algo que vê o mundo sendo algo cheio de padrões e comportamentos manipulados, ou seja, acredita que o ser humano vem ao mundo vazio e necessita de conhecimentos para se preencher, ou que ainda precisa ter seus “talentos” revelados por alguém que o observe, como já disse Scaglia.

Em resumo o método tecnicista ou analítico crê no desenvolvimento e aperfeiçoamento dos gestos e técnicas do esporte/jogo em questão. E o enxerga de forma fragmentada, em pequenas partes para automatizar os movimentos.


Conclusão


Basicamente o que temos aqui é um conflito de princípios. O método tradicional entende o esporte como algo fragmentável para se ter maior controle das ações, já as novas tendências compreendem o jogo de uma maneira integracionista, onde o jogo é um emaranhado complexo de ações e propósitos. Nenhuma delas é mais correta que a outra, até por isso digo que não existem treinadores ultrapassados, mas sim treinadores pouco compromissados com suas filosofias.


Sugestões


Com isso apresentados, ainda que brevemente, nos próximos artigos, iremos estudar alguns treinadores renomados para chegarmos a uma conclusão de qual rumo esses seguiram, independente do esporte.

Caso queiram se interar mais sobre as Novas Tendencias da Pedagogia do Esporte, fica aqui uma lista de autores para leitura.


Autores: Julio Garganta, Alcides Scaglia, Larissa Galatti, Lucas Leonardo, Rodrigo Rodrigues Paes, Riller Silva Reverdito e João Batista Freire.

Aconselho também os canais de comunicação do LEPE (Laboratorio de Estudo em Pedagogia do Esporte) e Universidade do Futebol.



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